Não resisti a essa patota pendurada no ateliê-bonde do Getúlio. Passava por ali a caminho do trabalho, segunda, terça, quarta, quinta e na sexta decidi que seriam minhas! Vão para um pedaço de parede da sala já reservado para elas.
Aliás, não me canso de achar os detalhes curiosos de cada uma. Ana Paula e Gabriela me parecem grávidas. Curiosamente são as únicas com a sexualidade evidente, o que confirma as muitas meninas grávidas que tenho visto por aí. Além disso tomam muito refrigerante. Ô cultura da ignorância! Já Peixota, muita madeira e com esse nome, deve ter vindo da roça! Biatriz é moleca brincalhona e feliz, de pés descalços e olhos brilhantes. E Simony no centro, com as longas botas azuis, é antenada e tecnológica. Os olhos de pneus, esbugalhados, são de quem adora uma noitada. Roda com seu carro sem destino por aí e curte mesmo beber uma cervejinha…
Mais um trabalho saindo do forno do ateliê do J. Mais um pra fazer a casa bonita e depois partir, deixando um prego solitário na parede vazia. Eles vêm se chegando, espalham-se pela casa e quando começo a acreditar que nasceram para o cantinho em que estão… um telefonema e tchau. Eles se vão. Vão em busca de outras paredes e novos olhares. Não devo ficar triste, é verdade, mas que dá vontade de ter um inteirinho só pra mim, isso dá!
Tudo bem, eu confesso! Não resisti às barraquinhas do Brasil Rural Contemporâneo. Mas quem resistiria? No pavilhão do Sul era um absurdo a fartura de guloseimas! O do Nordeste não precisa de apresentação e o da Amazônia, bastante curioso, entre couros de peixe e botas de borracha vegetal com escudos de times. Vieram conosco nozes pecan de tudo que é jeito (carameladas, puras e em rapaduras), arroz integral quilombola e doces de cupuaçú. As palhas eram muitas, de trançados diferentes, principalmente as de bananeira. Duas vieram direto para um armário que precisava de vidros.
E bem lá no meio estava o estande Talentos do Brasil. Descrevê-lo, só com duas palavras: Pára tudo! Cada coisinha tinha uma história e alguém para contá-la. Peças únicas, feitas com o carinho de quem depende delas para ser gente nessa vida. Dá pra sentir a esperança saindo das tramas e bordados, e até um certo orgulho feliz por saberem que deu certo! Eu só não sabia que tinha a mão mágica de um certo Ronaldo Fraga nessa história toda…
Brinco de opala com prata, do Piauí
Camiseta de algodão colorido da Paraíba (Projeto Dois Pontos)
A ida ao Brasil Rural Contemporâneo, V Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária, foi uma bela surpresa! Fato que saí de casa com um baita de um espírito consumista, só pensando na palavrinha mágica “artesanato”. Mas passar a manhã conversando com J.Borges, Jô Oliveira e Bule-Bule fez esquecer o mundo das minimalezas consumíveis, que estavam lá do lado de dentro dos estandes. E como já não bastasse, ainda ganhei de presente essa matriz do mestre J.Borges. Nossa!
Ingressos garantidos um dia antes, lá estávamos J e eu no Odeon para ver o documentário de Paulo Henrique Fontenelle. A história dos Mutantes por si só já bastaria para querer muito ver o filme, mas a curiosidade sobre essa figura ímpar mentora de tudo despertou vontade ainda maior. Voltando alguns meses no tempo, estávamos também J e eu no Parque das Ruínas, em Santa Teresa, num passeio descompromissado de domingo de manhã, quando nos deparamos com a tal figura ímpar, o Arnaldo Batista, passeando seguido por câmeras. Nós de figurantes, ele olhando o Rio lá de cima e Lucinha, sua esposa, junto dele. Claro que era inevitável pensar na possibilidade de aparecer no filme, ou no mínimo, de saber que estaríamos ali na cena, sem que ninguém soubesse, e era com essa expectativa que enfrentávamos a fila para lutar por lugares razoáveis na sala do cinema.
Eis que para completar a noite, parada na fila, ouço um som guardado com carinho na memória: Xxxxxxxxcolhe. Pausa. Xxxxxxxxcolhe. Sim era ele. Usando uma super técnica, ele convidava os clientes para sua muito bem arrumada banca de balas. E para aqueles que chegavam a comprar alguma coisa, a recomendação: Sssssssssaboreie. Noite engraçada. Filme irresistível!
No meio do árido Largo da Carioca, entre pedintes, pregantes e vendedores, quem consegue abstrair o caos, tem o prazer de se deparar com essas duas árvores lindas, que ficam logo ali na entrada da praça do Metrô. O tronco parece enferrujado e quem olha só pra ele, na pressa, não vê que traz na copa um monte desses pom-pons amarelinhos. Agora principalmente, em tempos de Primavera ou quase, ela está cheia deles! O prédio do BNDES tem essas surpresas Burle-Marxianas. Uma outra é a garça solitária que de quando em vez fica nos arredores do chafariz, pouco se importando com as pessoas de lá pra cá. Na correria da semana cinza, é uma florzinha amarela que me faz feliz.
Existe uma feira de artesanato que, sem deixar qualquer sinal de que vem ou que vai, aparece por dois dias no Largo da Carioca, cheia de coisinhas interessantes. É pura sorte estar passando por ali numa dessas ocasiões, mas sorte mesmo foi ter encontrado essas artesãs de Natividade, que fica na Serra da Mantiqueira, na divisa do Rio com Minas. São bolsinhas, necessaires, porta-celulares, cintos, almofadas e por aí vai. O Grupo de Bordado da Associação Natividadense de Artesãos reúne várias mulheres com suas mãos habilidosas e o resultado é esse aqui embaixo.
No cartão que vem junto dos bordados está o endereço:
Rua Dr. Raul Travassos, 5 - Centro - Natividade / RJ - Tel. (22) 3841-1577
Hoje tirei um tempinho para visitar a Micheliny Verunschk… e que ótima decisão! Acabei por fazer um passeio delicioso, desses que deixam a gente sorrindo pelo resto do dia.
No meio das estampas de um vestido fofo estava Beatrix Potter, que descobri há pouco. Todo mundo já viu Peter Rabbit e Jemima Puddle-Duck em algum lugar, mas quem faz idéia da história linda que está por trás? Eu pelo menos não fazia.
Por lá também encontrei esse trabalho muito interessante: fotos de mulheres na Ipanema dos anos 60, garimpadas por Peter Lucas em uma feira de antiguidades.
E a animação Sopa de Principe, cheia de costurinhas para inspirar…
Caminhar pelas ruas do bairro é sempre uma delícia, principalmente com o dia lindo de ontem, mas a verdade é que esperava mais. Mais Zemog, mais Zé Andrade, mais Dinorah, mais cerâmicas na linda casa da Monte Alegre e de quebra aquela oportunidade anual de passear pelo casarão da Unei. Nenhuma dessas portas estava aberta e pouco encontrei nas que estavam. As surpresas acabaram ficando por conta dos pequenos detalhes ao longo do caminho…
Esse senhor muito reservado nos recebia na entrada do Espaço Bananeiras.
Lá dentro a Blythe descolex vendia os acessórios da Zellig.
Um papo rápido com Anisio, de quem sou fã.
Sua arte na parede do Mercado das Pulgas…
… e na parede da minha cozinha (presente surpresa do J!)
Miniatura da escadaria do Selarón?
E o cair da noite de um dia lindo vem para fechar a caminhada.
Principalmente se fico linda nele! Encantaram-me esses desenhos da Bel, que lá de BH conseguiu me ver assim. E a surpresa não ficou por aí, porque chegaram esses outros ainda mais lindos. O Caneta não vê a hora de ter sua historinha ilustrada por mãos tão habilidosas…
Diferente mesmo!
Como todo comercial deveria ser e como há tempos não vejo um…
Fossem todos eles assim, agências e clientes não estariam loucos e descabelados porque o público vai pular os breaks quando vier a TV digital.
Eu não pularia! … parabéns pro Ariston!
Férias quando assim duram uma vida inteira. Imagens e sensações irão comigo para onde eu for. Praia limpa, águas mornas e peixes para todos os lados, inclusive no prato, é preciso confessar. Fora isso, pessoas amáveis. Todas elas. Mas quem haveria de não ser feliz morando ali? Eu que não me canso de gostar da Bahia, continuo achando seu litoral o mais bonito de todos em terras brasileiras. Não é à toa que o sol vive lá.