Publicações arquivadas sob Nem te conto!

As palavras são um delicioso e nutritivo alimento para nossa imaginação.

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Faz um tempo que quero escrever histórias… histórias para crianças e para quem gosta de ser de vez em quando. Se eu demorar um pouquinho a aparecer por aqui, já sabem onde me encontrar!

http://paulaschuabb.com.br/tetaliteraria

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Adicionar comentário 20/03/2010 às 22:16 Paula Schuabb

Cinco coisas que não sou, mas gostaria tanto de ser que arrisco.

Micheliny preparou essa pergunta bastante existencial, mas muito divertida de pensar a resposta. Fez lembrar quando era criança e podia ser o que quisesse no fabuloso mundo da minha imaginação…

passaros2 1 2 - passaros2 1 2

Curadora de arte
Escolher no universo de coisas lindas ao meu redor, aquelas que juntas irão fazer um curisoso sentido.

Escritora
Viver submersa nas infinitas possibilidades de combinar palavras.

Consultora de Tendências
Aproveitar melhor a mania de observar cada detalhe de tudo e de todos.

Costureira de mão cheia
Saber modelagem como ninguém e dominar o universo dos tecidos, agulhas e linhas.

Fernão Capelo Gaivota
O mais perto que cheguei dele foi nos sonhos. Ainda bem que temos os sonhos!

Minhas convidadas:
Ana Quitéria - Só posso falar
Lívia - Varanda
Flávia - Kafofo Dona Lapa
Fran - Mamãe, eu quero!
Teresa - Teresa e seu artesanato

4 comentários 18/07/2009 às 00:32 Paula Schuabb

Meu Espelho

picasso moca espelho - picasso moca espelho

Eu nos espelhos de rua
Me vejo muito esquisito,
Já no espelho de casa
Meu rosto fica bonito.
Afinal, de qual espelho
É correto o veredito?

Esses espelhos de rua
Causam-me grande desgosto,
Com meu espelho doméstico
Dá-se um fenômeno oposto
Ele me transforma num
Homem bonito e disposto.

Não me olho mais em espelho
De bar ou de botequim.
É cristal defeituoso
Que só prejudica a mim.
Com meu espelho de casa
A coisa não é assim.

Que todos ouçam enfim
O que vou dizer aqui:
O meu espelho tem algo
Em comum com Pitangui,
Faz em mim operação
Plástica sem bisturi.

Tem espelho por aí
Fabricando anomalia,
Faz questão de só mostrar
Minha platicefalia.
O meu metamorfoseia
Minha fisionomia.

Se em termos de beleza
Alguém está no vermelho,
Se me pagar eu forneço
Xerox do meu espelho.
Não fique perdendo tempo,
Tome logo meu conselho.

Antonio de Araújo Campinense, o poeta do campo.

Aquele senhor quietinho, sentado no fundo do auditório das plenárias da ABLC, poderia passar desapercebido não fosse a criatividade com a qual nos presenteia sempre que declama suas poesias. Dos cordelistas que tive o prazer de conhecer na Academia, Campinense é o que mais me surpreende. Sua visão do corriqueiro é sempre repleta de delicadeza e bom humor, com uma pitada de sarcasmo no ponto certo. A ponto de deixar um sorriso grudado no rosto pelo restante do dia.

À propósito, encontrei outros textos inspirados em espelhos.

Imagem: Pablo Picasso, Moça Diante do Espelho, c. 1932

1 comentário 10/07/2009 às 00:00 Paula Schuabb

O mundo encantado dos livros

ciencia01 - ciencia01

ciencia02 - ciencia02

ciencia03 - ciencia03

Desde que J começou a ilustrar a coleção Ciência em Cordel, venho pegando carona nos livros infantis. Ele usando para suas pesquisas. Eu para me deliciar com as histórias. Aliás preciso registrar que estou muito orgulhosa desse trabalho dele. Acompanhei todo o processo aqui de perto e vi o trabalhão. A proposta de usar xilogravura com fotografia e interferências no computador rendeu uma coleção linda!

fogonoceu - fogonoceu
A visita ao 11º Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens foi um deleite. Teve o lançamento da coleção Ciência em Cordel e outros tantos. Se pudesse passaria horas em cada editora descobrindo as novidades ou relembrando os meus preferidos. Um deles, a coleção Gato e Rato, de Eliardo e Mary França, encontrei ainda no formato antigo!

Ticuna01 - Ticuna01

Não faltou livro em diferentes formatos e propostas inusitadas. Um deles, Waves, vi agora há pouco no Pacha Mama em versão animada. Se a vontade de ler todos era grande, imagine a de trazer para casa. Haja racionalidade! Mas a um em especial não resisti: O livro das árvores Ticuna. Parte de um projeto começado em 1987, o livro apresenta a intensa e rica relação dos Ticuna com as árvores que formam a floresta amazônica e mostra o valor de tais espécies para sua sobrevivência física e cultural. Tudo ilustrado por Ticunas de todas as idades.

Ticuna02 - Ticuna02

Uma das histórias fala da formação do planeta a partir da morte de uma samaumeira imensa que cobria todo o céu. Quando finalmente derrubada, seu tronco virou o Rio Solimões. De seus galhos surgiram rios e igarapés. Essa é só uma história de outras mais e vou lendo aos pouquinhos, que é pra não acabar logo…

Ticuna03 - Ticuna03

Ticuna04 - Ticuna04

Ticuna05 - Ticuna05

1 comentário 21/06/2009 às 20:27 Paula Schuabb

O assunto mais importante do mundo pode ser simplificado até ao ponto em que todos possam apreciá-lo e compreendê-lo. Isso é - ou deveria ser - a mais elevada forma de arte.

Charlie Chaplin 04 - Charlie Chaplin 04 Recebi um comentário de Aurelís no post A minha próxima vida que o faz merecer retratação imediata. Justo quando ando (de novo) apaixonada por Chaplin, do alto da minha ignorância, não fazia idéia que era ele quem estava por trás da inspiração de Woody Allen. Confesso que sabendo vir dele, a história ganha muito mais emoção. É fácil imaginar as caras que faria e dá vontade de gargalhar só de pensar! Achei esse site (Pensador.info) com outras frases e pensamentos seus, que divido com quem mais vier a se interessar…

1 comentário 06/02/2009 às 18:25 Paula Schuabb

A minha próxima vida

deondeviemos - deondeviemos “Na minha próxima vida quero vivê-la de trás pra frente. Começar morto para despachar logo esse assunto. Depois acordar num lar de idosos e ir-me sentindo melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a aposentadoria e começar a trabalhar, recebendo logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar por 40 anos, cada vez mais desenvolto e saudável até ser jovem o suficiente para entrar na faculdade, embebedar-me diariamente e ser bastante promíscuo, e depois estar pronto para o secundário e para o primário, antes de virar criança e só brincar, sem responsabilidades. Aí viro um bebê inocente até nascer. Por fim, passo 9 meses flutuando num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quarto à disposição e espaço maior dia a dia, e depois - Voilà! - desapareço num orgasmo…”
Woody Allen

De carona nesse texto, aproveito para recomendar:

(1)
O filme “The Curious Case of Benjamin Button“, com estréia no Brasil prevista para meados de janeiro. Se Wood Allen se inspirou no filme, ou mesmo no conto original, de F. Scott Fitzgerald, é provável, não sei, vai saber, mas que essa viagem imaginária é uma delícia, isso é! E eu quero estar lá na frente da telona para conferir.

(2)
O livrinho aí em cima, “De Onde Viemos?” e sua sequência, “O Que Está Acontecendo Comigo?”, são da trupe Arthur Robins, Peter Mayle e Paul Walter, pela Editora Nobel. Minha mãe espertamente providenciou esses livrinhos para que eu e meu irmão desvendássemos esse mistério do universo. Nós adoramos!

3 comentários 07/01/2009 às 09:55 Paula Schuabb

Não foi dessa vez que meu nome entrou para a galeria literária celular

Saiu o resultado do concurso de mini-contos de até 160 caracteres para celular.
Minhas duas mini-criações não estão lá no site da Fliporto. Já que regulamentos não mais me impedem, as publico aqui, para registro da tentativa…

(1)
Terminou com ele num torpedo. Foi a forma mais carinhosa que encontrou. Em tempos de quem não tem tempo, um emoticon vale mais que mil desculpas.

(2)
Fotografava os gatos do centro da cidade com o telefone. Gatos que ficam nos balcões das lojas. Curioso foi um rato levar o seu celular.

1 comentário 13/11/2008 às 22:22 Paula Schuabb

Café com Pombos

pombos - pombos

Era um grande pátio onde se seca café. Os grãos ainda verdes estavam espalhados por todo lado e eu caminhava por cima deles. Olhei para o céu de um dia lindo e de repente pontos pretos começaram a se mover e vir em minha direção. À medida que se aproximavam ficavam maiores. Vi que eram pombos. Mas não eram comuns. Pousaram sobre o café esparramado. Eram muitos e mediam mais de 2 metros de altura cada um. Eu fiquei ali no meio pasma! E se eles percebessem a minha presença?

………………………………………………………………………………………

Um papo de MSN sobre sonhos e lembrei-me deste de infância, registrado no Dröma, um site onde gente de todo canto compartilha sonhos. Não sonhos-desejos, mas sonhos sonhados ao dormir. Engraçado lembrar destes pombos! Essa situação maluca e tantas outras, sonhadas quando criança, têm sempre um quê de especiais! Será que até os sonhos quando somos crianças são melhores?

2 comentários às 22:06 Paula Schuabb

Torpedos literários

Ótima essa moda de concursos literários em formato miniatura! O primeiro que vi foi o 140letras no Twitter. Ontem recebi por e-mail a notícia deste concurso de minicontos e haikais da Editora Guemanisse. Divertida mesmo achei essa proposta de literatura no celular, com até 160 caracteres. O prazo também está em cima, acaba amanhã, por isso tratei logo de mandar os meus. Eles querem ineditismo, eu respeito. Mas se ficar a ver navios, claro que publico minhas tentativas de minicontos por aqui. Aliás, diversão à parte é ver que erros de caracteres acentuados, não esperados, tornaram alguns contos um tanto quanto picantes…

Adicionar comentário 14/10/2008 às 19:20 Paula Schuabb

Caneta de botas

GatodeBotas - GatodeBotas

Ele não veio de herança, não mora em terra de reis e nem precisa provar nada a ninguém, mas a possibilidade de encontrar um ogro para transformar em rato pareceu uma idéia bem interessante. Tratou então de providenciar suas próprias botas, azuis porque é muito antenado, mas cadê o tal do ogro que não vem? Por via das dúvidas ele permanece atento à campainha.

3 comentários 22/06/2008 às 14:30 Paula Schuabb

Platônicos anônimos

umvsoutro - umvsoutro

Tinha por ele um amor inexplicável, desses de pensar a cada instante e de um querer sem fim. Gostava de observá-lo. Examinar as sobrancelhas e as mãos. Catalogar cada um dos seus gestos. Associá-los a sentimentos e surpreender-se a cada nova expressão. Era amor tão grande que o soterraria. Vez por outra se pegava imaginando como seria o dia em que deixaria escapar aquilo que nunca haveria de lhe dizer. Imaginava também as possíveis reações suas diante do indizível, os pequenos momentos de tensão na espera da resposta e a tão previsível quanto necessária recíproca verdadeira. Bochechas coradas e o beijo. Sempre o beijo no final. Platõnicos parecem ser incrivelmente influenciados por filmes hollywoodianos e preferem que tudo culmine com o beijo. Pelo menos com ela era assim.

Caminhava em suas idas e vindas acompanhada dos pensamentos nele e já não mais sabia viver se não assim. Enquanto pessoas ao seu lado liam revistas ou jornais, ela conversava com ele, conhecia sua família, dava rizadas e recebia conselhos. Iam sentados no banco do metrô lotado, quando ao seu lado ele de fato se sentou. A conversa entre eles parou para que ela o cumprimentasse, muito pálida, coitada! Há pouco conversavam tão à vontade e agora não sabia o que lhe dizer. Sabia porém o que não dizer e não disse. Trocaram amenidades e tão logo ele desceu em sua estação, ela seguiu aliviada. Já estava morrendo de saudades dele e não via a hora de voltarem a conversar.

2 comentários 27/01/2008 às 15:37 Paula Schuabb

O santo e carne

santoecarne 1 - santoecarne 1

O santo, que é de barro, encontrou a carne, moça fraca. Papo vai, papo vem, se conheceram. A carne descobriu ser ele encantadoramente pervertido e do alto da sua fraqueza, de cabeça se jogou. O santo, paradinho estava, a deixou cair em seus braços. O tórrido romance teria ido além, muito adiante, não tivesse nascido já tão frágil. Uma noite, ao ver a carne desfalecida ao seu lado, o santo teve um estalo e se quebrou.

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Caro Millôr, a idéia era ser do nível dos seus Contos Fabulosos, mas fica aqui o registro, válido pela simples intenção.

Adicionar comentário 09/01/2008 às 08:59 Paula Schuabb

Lotação, engarrafamento e elocubração

bus - busEu converso com as pessoas no ônibus do metrô. Elas não sabem, mas participo de seus papos ao telefone, tiro dúvidas e ouço seus lamentos.

A moça loira de cabelos bem cuidados, sentada ao meu lado, não parece feliz. Aliás, não são os cabelos os únicos bem cuidados. Pele, unhas, roupas e acessórios formam um conjunto de harmonia estética impressionante que os padrões vigentes não ousariam criticar. Mas ela não está feliz e me pergunto se estaria preocupada com algum aspecto prestes a tirá-la deste equilíbrio estético tão importante.

Um engarrafamento permite elocubrações impressionantes e de repente me pego imaginando o cérebro (a massa cinzenta mesmo!) de uma pessoa adepta do culto ao corpo sobre todas as coisas. O tônus muscular é invejável, mas e o tônus mental? Vixe, como é estranha a imagem de um cérebro flácido, tomado de estrias e muita, muita celulite.

Adicionar comentário 13/12/2007 às 11:45 Paula Schuabb


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