Meu Espelho
10/07/2009 às 00:00 Paula Schuabb | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 852

Eu nos espelhos de rua
Me vejo muito esquisito,
Já no espelho de casa
Meu rosto fica bonito.
Afinal, de qual espelho
É correto o veredito?
Esses espelhos de rua
Causam-me grande desgosto,
Com meu espelho doméstico
Dá-se um fenômeno oposto
Ele me transforma num
Homem bonito e disposto.
Não me olho mais em espelho
De bar ou de botequim.
É cristal defeituoso
Que só prejudica a mim.
Com meu espelho de casa
A coisa não é assim.
Que todos ouçam enfim
O que vou dizer aqui:
O meu espelho tem algo
Em comum com Pitangui,
Faz em mim operação
Plástica sem bisturi.
Tem espelho por aí
Fabricando anomalia,
Faz questão de só mostrar
Minha platicefalia.
O meu metamorfoseia
Minha fisionomia.
Se em termos de beleza
Alguém está no vermelho,
Se me pagar eu forneço
Xerox do meu espelho.
Não fique perdendo tempo,
Tome logo meu conselho.
Antonio de Araújo Campinense, o poeta do campo.
Aquele senhor quietinho, sentado no fundo do auditório das plenárias da ABLC, poderia passar desapercebido não fosse a criatividade com a qual nos presenteia sempre que declama suas poesias. Dos cordelistas que tive o prazer de conhecer na Academia, Campinense é o que mais me surpreende. Sua visão do corriqueiro é sempre repleta de delicadeza e bom humor, com uma pitada de sarcasmo no ponto certo. A ponto de deixar um sorriso grudado no rosto pelo restante do dia.
À propósito, encontrei outros textos inspirados em espelhos.
Imagem: Pablo Picasso, Moça Diante do Espelho, c. 1932
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1 Comentário Faça seu próprio
1. AnaQ | 15 de Julho de 2009 às 01:00
Que coisa mais lindaaaaaaaaaaaaa! Vou twittar!
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